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ARTIGO 10

 

REPASSE DE NUMERÁRIO PELO PODER EXECUTIVO AO LEGISLATIVO

 

As Inspetorias do TCM, no exercício da fiscalização que lhes compete, no que concerne à transferência de numerários, pelo Executivo, ao Poder Legislativo, deverão levar em consideração a receita efetivamente arrecadada no exercício imediatamente ante-rior à execução da despesa.

Tem este TCM entendido, por seus órgãos técnicos, respeitantemente ao repasse de numerário à Câmara de Vereadores, a contar do Parecer nº. 2015/00, datado de 06/12/00, que o referencial a ser adotado pelas Câmaras Municipais, ao elaborarem a sua proposta orçamentária, será a receita tributária e das transferências APURADAS no exercício anterior à aludida elaboração.

A partir deste posicionamento, tornou-se freqüente consultar-se o TCM, concernentemente ao assunto, fazendo-se sempre a mesma pergunta:

O EXERCÍCIO ANTERIOR A QUE ALUDE A EMENDA Nº. 25/00 É AQUELE QUE ANTECEDE À ELABORAÇÃO DA PROPOS-TA ORÇAMENTÁRIA OU O QUE ANTECEDE À VIGÊNCIA DA MENCIONADA EMENDA?

É induvidoso que a Emenda nº. 25/00 não explicitou qual o exer-cício anterior a que se refere, daí porque a questão se tornou polêmi-ca, comportando dualidade de posicionamentos.

Diante do grande número de consultas feitas pelas partes inte-ressadas, houve por bem o ilustre Presidente deste Colegiado, Conselheiro FRANCISCO DE SOUZA ANDRADE NETTO, solicitar à Assessoria Jurídica do órgão a reanálise do problema, franqueando-nos informações várias e manifestações oriundas de algumas entidades.

Faz-se mister registrar, de logo, o fundamento básico das duas correntes existentes.

1 – Os que defendem que o exercício anterior, mencionado pela Emenda nº. 25/00, é o de 1999 ressaltam a dificuldade para adoção do exercício de 2000, isso porque o valor a ser atribuído, NA PROPOSTA ORÇAMENTÁRIA, para o Legislativo, NÃO SERIA EFETIVAMENTE CONHECIDO DO EXECUTIVO, na medida em que a sua elaboração é comumente efetuada no mês de agosto, objetivando a sua inserção no orçamento do Município que deverá ser encaminhado à Câmara de Vereadores no mês subsequente.

2 – Os que sustentam que o exercício anterior é o de 2000 pon-deram que a verificação da despesa só será possível após sua execução, sendo necessário que primeiro haja o desembolso a fim de que a mesma passe a existir. DIZEM MAIS QUE O VALOR CONSTANTE DO ORÇAMENTO NÃO PASSA DE UMA PREVISÃO DE GASTOS AUTORIZADOS QUE, SE NÃO REALIZADOS, NÃO CONSTITUEM DESPESA.

Nessa linha de raciocínio enfatiza o IBAM que as despesas das Câmaras Municipais foram limitadas a um percentual determinado em função da população, aplicado sobre o somatório da receita tributária e das transferências efetivamente realizado no exercício anterior, o qual só será conhecido quando do encerramento do exercício de 2000, oportunidade em que o orçamento de 2001 já deverá estar aprovado. Daí poderá resultar que a dotação destinada ao Legislativo, no exercício de 2001, seja maior ou menor do que o somatório apurado no balanço orçamentário do exercício de 2000. Se a fixação da despesa da Câmara, no exercício de 2001, for maior do que o apurado deverá haver uma contenção de gastos por parte daquela Casa Legislativa. Se, ao contrário, a despesa for fixada em montante inferior, a diferença poderá ser utilizada como limite para a abertura de créditos adicionais suplementares, ou utilizando-se recursos da Reserva de Contigência, se contemplada no orçamento.

Ao responder consulta formulada pela Câmara Municipal de Fei-ra de Santana, Parecer nº. 0140/01, o Prof. HERALDO DA COSTA REIS assim se expressa:

“PARA O CÁLCULO E LIBERAÇÃO DOS RECURSOS FI-NANCEIROS DO PODER LEGISLATIVO PELO PODER EXECUTIVO, REFERENTES AO PRESENTE EXERCÍCIO, ESSA CÂMARA MUNICIPAL DEVERÁ TOMAR A RECEITA TRIBUTÁRIA MUNICIPAL EFETIVAMENTE ARRECADADA NO ANO DE 2000 – ACUMULADA DE JANEIRO A DEZEMBRO – E ADICIONAR-LHE A DÍVIDA ATIVA TRIBUTÁRIA INSCRITA NO MESMO EXERCÍCIO E AS RECEITAS DE TRANSFERÊNCIAS, CONFORME OS DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS MENCIONADOS, TAMBÉM RECEBIDAS NA-QUELE PERÍODO FINANCEIRO, E APURAR O TOTAL DESSES DOIS GRUPOS DE RECEITAS, SOBRE O QUAL SERÁ APLICADO O PERCENTUAL CORRESPONDENTE A ESSE MUNICÍPIO. O RESULTADO APURADO CONSTITUIRÁ O VALOR A SER LIBERADO PELO PODER EXECUTIVO MENSALMENTE, ATÉ O DIA 20 DE CADA MÊS, CONFORME O DISPOSTO NO ART. 168 DA JÁ MEN-CIONADA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA”.

De igual sorte, o Consultor de Orçamento e Fiscalização Finan-ceira da Câmara dos Deputados, Sr. WÉDER DE OLIVEIRA aduz o que se segue:

“TENDO EM VISTA QUE A BASE DE CÁLCULO SOBRE A QUAL INCIDE O LIMITE PARA O TOTAL DA DESPESA DO PODER LEGISLATIVO MUNICIPAL É O SOMATÓRIO DAS RECEITAS EFE-TIVAMENTE REALIZADAS NO EXERCÍCIO ANTERIOR, DEPRE-ENDE-SE QUE O LIMITE É ANUAL, NÃO PODENDO A DESPESA TOTAL EXCEDER, NO ANO DE SUA EXECUÇÃO, O VALOR RE-SULTANTE DA APLICAÇÃO DO PERCENTUAL LIMITE SOBRE A SOMA DAS RECEITAS TRIBUTÁRIAS E DAS TRANSFERÊNCIAS DO § 5º DO ART. 153 E DOS ARTs 158 E 159 DA CONSTITUIÇÃO REALIZADAS NO ANO ANTERIOR”.

De tudo quanto esposado forçoso será admitir que duas são as vertentes resultantes da problemática: uma de natureza orçamentária e outra relacionada com a efetivação, propriamente dita, da despesa.

Certos estão os que proclamam que o referencial a ser ado-tado pelas Câmaras Municipais, AO ELABORAREM A SUA PRO-POSTA ORÇAMENTÁRIA, deverá ser a receita tributária e das transferências apuradas no exercício anterior à citada elaboração, até porque, como visto anteriormente, ela, por ser apresentada no mês de agosto, não refletirá a efetiva receita do ano em que o or-çamento é aprovado.

Não menos certos os que salientam, porque consideram que o valor constante do orçamento não passa de uma previsão de gastos autorizados, QUE A VERIFICAÇÃO DA DESPESA SOMEN-TE SERÁ POSSÍVEL APÓS SUA EXECUÇÃO, TORNANDO-SE IN-DISPENSÁVEL QUE PRIMEIRO HAJA O DESEMBOLSO A FIM DE QUE PASSE ELA A EXISTIR.

Assinale-se, outrossim, à guisa de ilustração, que todos os Tri-bunais de Contas consultados, é o que nos foi informado, vêm admi-tindo, no particular, como referência, a receita tributária e a das trans-ferências apuradas no exercício de 2000.

Por último, entendemos, salvo melhor pensar, desde que aceita esta nossa manifestação, deva-se orientar as Inspetorias Regionais, através da Coordenadoria de Controle Externo, no sentido de exercitarem a fiscalização da execução orçamentária, no que tange à transferência de numerários, pelo Executivo, ao Poder Legislativo, a partir da receita efetivamente arrecadada no exercício imediatamente anterior à execução da despesa, bem como se dê conhecimento aos consulentes, à medida que as consultas nos sejam endereçadas, deste nosso opinativo.

 

Em 04-04-2001

AFONSO H. BARBUDA
    Chefe da AJU

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