PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO VERSUS INFORMAÇÕES
A informação é a mola mestra de qualquer decisão. Desde
a mais prosaica deliberação até as complexas e difíceis
decisões de Estado, a informação é o elemento que fornecerá
os necessários suportes fáticos e de conhecimentos dos quais
dependerão, em última instância, o acerto ou o desacerto da
eleição de determinada alternativa para fazer face a um
problema ou solucionar uma pendência.
O tradicional empirismo sobre o qual se
alicerçava, até há poucas décadas, um sistema de tomada de
decisões está para sempre prescrito - e proscrito -, uma vez
que a velocidade imprimida pelas ciências da comunicação
aos negócios levou as organizações hodiernas a depararem-se
com um dilema de proporções hamletianas, que se traduz pelo
princípio que ameaça: "informatize-se ou desapareça".
Com efeito, hoje não mais se podem adotar práticas
cartoriais nas organizações, sob pena de se as tornar
inatuais e dessincronizadas em relação ao resto da aldeia
global, com a qual ficaria impedida de dialogar. E o diálogo
mantido por uma entidade que teime em postergar sua
informatização com o entorno seria algo tão inusitado e
despropositado quanto, imagino, um bate-papo entre um lápis
HB e uma impressora a laser. Ora, sendo o diálogo a pedra
angular de uma estrutura sistêmica (e hoje o
mundo-mundo-vasto-mundo não passa de um intrincado sistema),
consubstanciando-se como seu principal insumo, os componentes
do sistema que se mantiverem mudos ou desaparelhados para
dialogar com o entorno serão fatalmente por ele deixados de
lado, como um pneu inservível de automóvel ou, pior ainda,
tenderão a fechar-se em torno de si mesmos, louvando uma espécie
de cultura cartorial que prestará eterna vassalagem aos
deuses Kardex, Mimeographus, Archivus e outras divindades
maiores e menores de seu panteão administrativo.
As informações são o principal nutriente
de um órgão público voltado para a prestação de serviços
à comunidade, como é o caso das Cortes de Contas. Sem a sua
existência não haverá serviços ou estes serão, no mínimo,
inadequados e extemporâneos, não atingindo os fins aos quais
se propõem. Ainda que estejam dispersadas nos mais variados
suportes em uma repartição, elas são encontradas,
invariavelmente, em estado bruto, sílex e pedra lascada, anômica
e abstrusamente organizadas (?). Sua sistematização não
poderá prescindir, sabe-se, da adoção de processamentos
informatizados, mormente em órgãos voltados para o controle
externo, os quais dependem em grande parte da coleta de
informações e de sua ordenação, elementos que poderão
propiciar tomadas de decisão rápidas e certeiras.
O planejamento estratégico do Tribunal de
Contas dos Municípios, fruto do esforço de modernização
administrativa empreendido pelo Presidente Francisco de Souza
Andrade Netto, erigiu, como uma das principais metas a ser
alcançada a médio prazo, a captura magnética das informações
relativas às contas municipais, mensais e anuais. Para tanto,
celebrou-se convênio com o Tribunal de Contas do Estado de
Santa Catarina, cujo objeto é a cessão gratuita de seus
sistemas informatizados de captura de dados (ACP, LRF-Net,
etc.), prevendo-se para breve a implantação dos mesmos na
Corte.
A veiculação rápida das informações
municipais, ainda que importante, não será, contudo,
suficiente para otimizar a atividade de fiscalização
exercida pelo TCM. A isso se juntarão outras medidas como a
verificação por amostragem, o controle sistemático de obras
e serviços de engenharia efetivados nos municípios, a
auditoria de natureza operacional, a modernização de seus
equipamentos, aquela coisa de hards e softs, o
treinamento de servidores, a publicização e divulgação de
dados e o fortalecimento de uma cultura informatizada, entre
outras providências.
Com a adoção dessas medidas, o TCM estará
contribuindo efetivamente para o desenvolvimento dos negócios
regionais na medida em que, fiscalizando, em tempo real, o
dispêndio de recursos pelos gestores, verificará, ainda, se
ocorreu estrita observância aos princípios constitucionais
de legalidade, publicidade, razoabilidade, moralidade,
legitimidade, economicidade, eficácia e efetividade.
Carlos Sampaio Filho
Chefe da Assessoria Técnica de Planejamento
e Modernização Administrativa do TCM