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ARTIGO 03

 

INCONSTITUCIONALIDADE DO ATO LEGISLATIVO QUE SUBSTITUI, INTEGRALMENTE, O PROJETO DE LEI ORÇAMENTÁRIA.

 

Ao Legislativo compete, nos precisos termos do artigo 166, § 3º da Constituição federal, EMENDAR o projeto de lei orçamentária NOS LIMITES IMPOSTOS PELA PRÓPRIA CONSTITUIÇÃO.

O artigo 165, da nossa Carta Magna, determina, taxativamente, que LEIS DE INICIATIVA DO PODER EXECUTIVO ESTABELECERÃO:

I – O PLANO PLURIANUAL;

II – AS DIRETRIZES ORÇAMENTÁRIAS;

III – OS ORÇAMENTOS ANUAIS.

Percebe-se, pois, que a iniciativa das leis orçamentárias é da competência privativa do Executivo.

Embora possamos admitir, e realmente admitimos, que a SUBSTITUIÇÃO, pelo Legislativo, do projeto de lei orçamentária, corresponde, teoricamente, à sua REJEIÇÃO, não devemos afirmar, sem um maior aprofundamento, a sua ocorrência no significado exato do vocábulo. É que o procedimento do Legislativo não levaria o Município a ficar sem uma lei orçamentária.

Entendemos, não obstante, ser inconstitucional o ato legislativo que SUBSTITUI a proposta orçamentária do Município, por outra por ele apresentada e aprovada.

Ora, se para EMENDAR a proposta orçamentária ao Legislativo é imposto limite, não seria factível que ele pudesse SUBSTITUIR todo o projeto por um outro.

Visto isto, enfatizamos que o PROCESSO LEGISLATIVO é a sucessão ordenada de atos necessários à formação da lei, do decreto legislativo ou da resolução do plenário, como leciona HELY LOPES MEIRELLES. Desenvolve-se mediante fases e atos essenciais que podem ser assim elencados: INICIATIVA, DISCUSSÃO, VOTAÇÃO, SANÇÃO E PROMULGAÇÃO, OU VETO.

No que concerne ao VETO diremos que o Prefeito pode vetar, e deve, qualquer disposição ou todo o projeto por inconstitucional, ilegal ou contrário ao interesse público, desde que justifique, por escrito, o seu ponto de vista.

Caberá ao Plenário da Câmara, POR MAIORIA ABSOLUTA, rejeitar o VETO, na medida em que considere inaceitáveis as razões do Executivo. NESSE CASO, MESMO INCONSTITUCIONAL, PREVALECERÁ A LEI APROVADA PELO LEGISLATIVO, ATÉ QUE O JUDICIÁRIO, SE PROVOCADO, DECLARE A SUA INCONSTITUCIONALIDADE.

É oportuno salientar ser inadmissível o veto ADITIVO ou RESTABELECEDOR, isto é, o veto que adicione algo ao projeto de lei OU RESTABELEÇA ARTIGOS, PARÁGRAFOS, INCISOS OU ALÍNEAS SUPRIMIDAS PELO LEGISLATIVO.

Diremos, por fim, que não se deverá negar ao chefe do Executivo a faculdade de recusar-se a cumprir ato legislativo inconstitucional, DESDE QUE POR ATO FORMAL E EXPRESSO APONTE A INCONSTITUCIONALIDADE E, DE PRONTO, INGRESSE NO JUDICIÁRIO, OBJETIVANDO DELE CONSEGUIR O PRONUNCIAMENTO RATIFICADOR DA INDICADA INCONSTITUCIONALIDADE.

A ele, todavia, não compete, por sí só, declarar a nulidade do ato legislativo por quebra da Constituição, atribuição privativa do Poder Judiciário.

 

Em, 17-12-98

AFONSO H. BARBUDA
      Chefe da Aju

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